O início precoce da atividade sexual, as constantes trocas de parceiros e a resistência ao uso do preservativo são alguns fatores que tornam os jovens, principalmente mulheres, as principais vítimas da infecção do papilomavírus humano, popularmente conhecido como HPV. "As mulheres manifestam mais a doença porque o vírus se prolifera preferencialmente na mucosa vaginal e no colo uterino, mas isso não quer dizer que os homens estejam imunes", explica a ginecologista e obstetra Maria Inês Miranda. O HPV na adolescência será um dos destaques do 33º Congresso Mineiro de Ginecologia e Obstetrícia, promovido pela Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG), que acontece de 3 a 5 de setembro, em Juiz de Fora.
O HPV, uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns entre os brasileiros, pode ser transmitida através do contato direto com a pele contaminada e do ato sexual sem proteção, inclusive o sexo oral. Ainda existe a possibilidade de contaminação por meio de objetos como roupas íntimas, toalhas e vasos sanitários. Em geral, o vírus provoca feridas ou pequenas verrugas de tamanhos variáveis nas regiões genital e anal, tanto na parte externa (vulva, pênis e ânus), quanto na parte interna (canal da vagina e colo uterino).
A infecção genital pelo HPV (Papiloma Vírus Humanos) é responsável por 99,7% dos casos de câncer cervical - colo de útero - em mulheres. O tumor cervical atinge cerca de 19 mil brasileiras por ano e é a segunda maior causa de câncer, atrás apenas do de mama, conforme dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer). Apesar disso, Maria Inês esclarece que em mais de 80% dos casos de contaminação em adolescentes, o agente é destruído pela própria defesa corporal da jovem. "Muitas vezes o vírus fica incubado por tempo indeterminado dentro da célula sem apresentar sintomas visíveis e vai regredindo com o tempo", detalha.
A vacina é uma das possibilidades no combate ao vírus HPV. Segundo especialistas, uma intervenção profilática ou terapêutica contra esse agente viral deve evitar o aparecimento do câncer de colo de útero. A primeira vacina foi liberada pelo FDA (Foods and Drugs Administration) em junho de 2006 para mulheres de 9 a 26 anos de idade como profilaxia de câncer cervical, lesões genitais pré-cancerosas e verrugas genitais causadas pelos HPV 6/11/16/18. A vacina combate os subtipos mais freqüentemente encontrados no câncer cervical, responsáveis por aproximadamente 70% dos casos.
O objetivo da vacinação profilática contra o HPV é reduzir a incidência de doenças anogenitais associadas ao vírus, incluindo câncer cervical, vulval, vaginal e anal, assim como lesões pré-malignas, verrugas genitais e papilomatose laríngea.
A vacina consta de três doses intramusculares (0, 2 e 6 meses) e tem alto custo para a população de maneira geral. Mostrou eficácia de 100% de proteção para o câncer cervical e 87,5% para as displasias do colo e verrugas após cinco anos de controle, mas não dá proteção contra todos os subtipos de HPV oncogênicos e não trata infecções já estabelecidas. É importante vacinar as pacientes antes da provável idade de exposição ao HPV, com melhores resultados em pacientes mais jovens.
"Os desafios futuros são verificar a validação em períodos maiores, a possível inclusão de outros tipos virais e a parceria dos serviços públicos para verificar o impacto na redução do câncer de colo", avalia Maria Inês
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