O idioma dos atores é o mesmo, porém os países são diferentes. Essa é uma das características que marcam o I Festival de Teatro Lusófono do Piauí, que está acontecendo no Theatro 4 e no Teatro Municipal João Paulo II, na capital do Piauí, até o próximo sábado, 30 de agosto.
O evento é promovido pelo Grupo Harém de Teatro, que conta com apoio do Governo do Estado, e tem garantido bons momentos para atores e público, com uma mistura de ritmos e cultura do Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Um mesmo espaço foi aberto para brasileiros de diversas partes do país, para portugueses, moçambicanos, angolanos, cabo-verdeanos e são-tomenses, que falam a mesma língua no dia-a-dia e também na arte. Dos 10 grupos que participam desse encontro, três deles falaram ao Portugal Digital sobre a magia que os envolve nessa turnê.
Jorge Washington, do Bando de Teatro da Bahia Olodum destaca a receptividade do público. “Foi uma recepção calorosa, alegre e o teatro estava lotado na apresentação do nosso grupo na segunda-feira (25)”, comentou. Quanto ao conteúdo do trabalho, explica que foi uma exposição viva sobre a questão do racismo. “Mostramos situações que são vividas aqui no Brasil e em outros países também, onde há preconceito. Colocamos muita coisa com humor, mas que também é uma crítica”, disse.
Estar com atores e artistas de outros países, especialmente de língua portuguesa, segundo Jorge Washington, faz toda a diferença para quem participa. “Estarmos juntos nesta jornada é algo indescritível. Só participando para saber. É uma oportunidade de intercâmbio e uma troca de experiência muito rica para qualquer artista”, avalia. “A gente apresenta nosso trabalho. Assistimos ao trabalho dos outros grupos. Essa é a riqueza que temos como aprendizado”.
O ator lembrou que esta é sua segunda experiência em encontro de grupos de teatro de países da língua portuguesa. “Estive, em 2003, em Coimbra, em Portugal, e foi tão bom quanto está sendo aqui. A gente conversa sobre arte no hall do hotel, no teatro, no ônibus, na rua, enfim, a gente respira arte”.
O ator Celso Gaspar, de São Tomé e Príncipe, integra o grupo Cerrar Só, que vai se apresentar na sexta-feira (29), às 19h, no Teatro João Paulo II. Como também esteve em Coimbra, Portugal, em 2003, diz que aqui no Brasil é uma experiência renovada. “É sempre bom estar no calor de outra terra para conhecer sua cultura e mostrar a nossa. No fundo há coisas que são comuns a todos. Mas mesmo através das diferenças a ente encontra algum ponto em comum”, ressalta.
Celso está no Brasil pela primeira vez e exalta a oportunidade. “Conhecer outros atores tem sido uma grande contribuição ao nosso grupo e a experiência de poder divulgar nosso trabalho e o meu país aqui é uma coisa ímpar. Tem gente que nunca ouviu falar de São Tomé e Príncipe. Por isso, ajoelho no mapa e mostro com satisfação o meu país”, comenta.
O ator Paulo Duarte é um dos representantes de Portugal, e integra o Arte Pública. Os espetáculos do seu grupo serão na sexta-feira, às 19h, e no sábado, às 21h, no Teatro João Paulo II.
Mas ele não se contentou com isso. De quebra trouxe uma produção própria, intitulada ‘Mistério Cômico’, que será apresentada nesta quinta-feira, às 19h, no mesmo teatro. “São cinco pequenas histórias, recolhidas de um local específico em Portugal, onde pessoas mais velhas, de ‘idade maior’, se recusam a deixar de viver e promovem saraus poéticos. Os textos são adaptados e se transformam numa comédia, mas não tem figurino. É só voz e a performance do corpo”, explica.
A magia do festival tomou conta do ator português. “O festival tem todo um lado de intercâmbio e seu valor é altíssimo, especialmente, quando se fala em contribuição para nosso aprendizado. Ao assistirmos os outros países vemos que há situações e muita coisa em comum, mas as diferenças sociais ficam nas entrelinhas”. Como exemplo citou um trabalho de Cabo Verde, que mostrado aqui é uma coisa, mas que, a seu ver, para os portugueses seria um pouco ousado.
A intensidade com que Paulo Duarte falou da sua experiência neste grande intercâmbio é mais que um testemunho de cumplicidade com a arte. “Vemos as diferenças, as igualdades, mas estamos falando da nossa arte, da interpretação que vai além do que se vê no palco. E com isso ganhamos mais experiência”, afirma.
Durante o I Festival de Teatro Lusófono do Piauí há mesas de conferência, palestras e discussões, com a participação de nomes renomados como o do diretor e autor José Celso Martinez.
No encerramento, dia 30 de agosto, haverá o Encontro de Diretores Lusófonos, às 10h, no Theatro 04 de Setembro com a presença de João Branco (Mindelo – Cabo Verde), João Vasco (Almada – Portugal), Jorge Feliciano (Moura – Portugal), Arimatan Martins (Teresina – Brasil), Gisela Cañamero (Beja – Portugal), Pedro Domingues (Fortaleza – Brasil), Clemente Tsambe (Maputo – Moçambique). Até sábado continua na sala Torquato Neto, sempre às 12h30, a Mostra de Cinema Lusófono.
Fonte: Daise Lisboa - Portugal Dgital
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