Quatro pessoas já morreram – e esse número pode aumentar nas próximas horas – devido a uma guerra entre duas famílias de ciganos. Uma delas vive na cidade de São Raimundo Nonato (Piauí) e outra em Remanso (Bahia). Os municípios estão localizados na divisa entre os dois estados. Entre a noite de sábado (23) e a manhã de domingo (24), foram assassinados a tiros três homens e uma mulher. Três das vítimas são de Remanso e uma é de São Raimundo Nonato. Policiais piauienses e baianos já se deslocaram para a divisa entre Piauí e Bahia a fim de fazer uma barreira, uma vez que ontem correu um boato de que grupos de ciganos das cidades baianas de Remanso, Feira de Santana e Dirceu Arcoverde pretendiam invadir São Raimundo Nonato para se vingar da morte das três pessoas de seu grupo.
A rixa entre as famílias calons (ciganos pobres, descendentes de João Torres, primeiro cigano a aportar no Brasil, trazido degredado pelos portugueses) de São Raimundo Nonato e Remanso é antiga – dura há pelo menos quatro gerações – e já resultou em muitas mortes.
Nesse mais recente conflito entre os calons do Piauí e da Bahia, tudo começou no sábado (23), quando dois chavos (jovens ciganos) de São Raimundo Nonato foram até a cidade de Remanso e lá se envolveram numa briga com integrantes do grupo inimigo. Na ocasião, um dos jovens de São Raimundo Nonato acabou matando dois rapazes de Remanso.
Em retaliação, o cigano Donizeti Pereira da Silva, conhecido como “Canivete”, irmão de um dos assassinados –, foi a São Raimundo Nonato, no domingo pela manhã, onde matou a calin Teresa Alves de Sousa, de 43 anos, mãe do autor dos dois homicídios em Remanso. Teresa foi atingida com dois tiros na cabeça e dois no peito.
Logo após o crime, o marido da cigana, conhecido como “Africano”, armou-se com uma pistola e saiu em perseguição a “Canivete”, que foi alcançado num mercadinho e morto com seis tiros à queima-roupa. “Africano” foi preso por policiais de São Raimundo Nonato, que apreenderam em sua casa uma espingarda e três revólveres. Também foram apreendidas a pistola e o revólver que foram usados por “Africano” e “Canivete” para cometer os crimes.
Com todo esse clima de violência – além da ameaça da invasão dos ciganos –, a cidade de São Raimundo Nonato está amedrontada com o que pode vir a acontecer. A polícia da cidade já pediu reforço às autoridades de segurança dos municípios vizinhos.
Fonte: Oswaldo Viviani - Jornal Pequeno
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